Todos nós algum dia vivemos experiências muito significativas em nossas vidas, como fazer castelos, tendas, esconderijos ultra-secretos, barracas usando lençóis... Quando arranjávamos tais espaços era como se realmente acreditássemos no que criávamos. Tornar viável o que desejamos é um exercício muito interessante. Transformar impossibilidade em possibilidade é um aprendizado para a vida. Com a criança a regra do improviso é lei! Empreendedora por natureza, sempre persegue seus objetivos na brincadeira e encara esta atividade com toda a seriedade, estando muito presente no que faz.

O que dizer da infância hoje? O poema de Pedro Bandeira fala sobre a infância vivida em interação com o mundo, fala sobre a ânsia da criança em conhecer o universo que a rodeia. O conhecimento desejado não é um conhecimento superficial e sim algo que ocorre na intimidade, no contato.

A brincadeira, ao contrário do que e pode parecer não é espontânea, ela é sempre referendada pela cultura. A prova disso é que os tipos de brincadeiras mudaram porque os adultos colocaram à disposição das crianças novos objetos de interesse.

O computador tomou lugar preferencial dos carrinhos e das bonecas. O fato é que mesmo mudando a forma de brincar a criança continua empenhada em brincar, porque uma das coisas importantes nesta atividade é a vontade de entender como ocorrem as relações sociais, como é o mundo dos adultos.

E quem é essa criança que quer “ter barro nos pés”? Poderíamos dizer que esta é qualquer uma das crianças de nossa escola que, como afirma o poeta Carlos Drummond de Andrade, “tem pressa de viver”. Por isso, temos nos preocupado em criar espaços para que as crianças possam, como no poema, “aprender o mundo”, mas não um mundo de violências e sim um “Mundo Viável” onde é possível viver em harmonia e ser feliz.

A tecnologia tem papel importantíssimo no processo de construção de conhecimento de nossos pequenos. Eis o desafio : Enquanto adultos analisarmos que tipos de jogos eles estão praticando no computador . Para a criança um jogo de violência, mesmo que virtual, vai fazer parte do faz de conta dela e influenciar em suas atitudes. Um filme de terror pode apavorar ou fazer crescer sentimentos de insensibilidade e maldade. 

Brincando de compra e venda, de casinha, criando personagens de massinha, através da hora da roda para contar as novidades ou nas atividades de brincadeira em grupo, a criança se apropria do mundo adulto. Viver intensamente os sentimentos das brincadeiras de faz de conta é também experimentar muitos papéis e aprender, crescer e amadurecer com eles. Sabemos que conhecer a criança é o ponto de partida para uma prática mais significativa e democrática. Esse é um desafio, pois um filho não é igual ao outro, uma turma nunca é igual a outra e dentro da mesma turma as crianças também são diferentes. Entendendo isso , Escola e família precisam considerar a criança em suas essências, não uma criança idealizada, mas um ser em desenvolvimento que precisa de nosso amor, cuidado, intervenção, ação e oração. A integração entre família e escola é uma boa estratégia para o sucesso.